| Weder de Oliveira |
Se no tempo de nossos pais ou avós a educação escolar terminava quando começava o trabalho, na sociedade do conhecimento ela não tem fim. Isso porque a sobrevivência profissional dos trabalhadores do conhecimento - que já representam dois quintos do total da força de trabalho nos Estados Unidos - depende sobretudo de educação, formal e continuada. A primeira serve para que se qualifiquem. A segunda, para que consigam manter-se atualizados - tarefa difícil mesmo para os profissionais mais instruídos, com pós-graduações e Ph.Ds. "Dar seqüência à formação de adultos será uma grande área de crescimento na sociedade do futuro", diz Drucker. Essa formação, acredita ele, não será oferecida apenas pelas instituições tradicionais, que pela pressão de demanda ou por questões geográficas podem se tornar insuficientemente acessíveis. Ela acontecerá também por meios alternativos - de cursos online a seminários de fim de semana - e nos mais variados lugares - na sala de aula da universidade, no trabalho, em casa.
As grandes escolas do futuro serão reconhecidas por sua competência de ensino específica. Em outras palavras, nenhuma escola ou universidade terá sucesso em diversas áreas se não forem geridas individualmente. Para Drucker, as universidades também devem repensar seu papel e sua forma de trabalhar. Ele propõe uma distinção clara entre dois tipos de ensino: uma instituição voltada para a trajetória acadêmica, e outra para a vida prática do dia-a-dia. Nas teorias de Drucker, as escolas têm de garantir aos seus ex-alunos a provisão de conhecimento para o resto da vida. Isso significa promover encontros periódicos e oferecer atualizações de técnicas, tendências, teorias e ferramentas. A escola tal como ela está formulada, não coloca o aluno em primeiro lugar. A educação formal não oferece um ambiente e um curso capaz de fazer com que o aluno tenha vontade de estudar, aprender, crescer e se desenvolver. Algumas mudanças, ou melhor, as novas exigências do desempenho listadas por Drucker seriam:
1) o investimento voltado para o capital intelectual, não mais voltado para a produção de mão-de-obra;
2) novo conceito de educação, que priorize novos objetivos e que conte com outros métodos de ensino-aprendizagem;
3) a finalidade da educação estaria no aprimoramento individual e não em fins sociais, como integração de grupos étnicos e classes sociais diferentes;
4) nova educação básica, que vá além de conhecimentos básicos de história e matemática e enfatize o "conhecimento de processos" - que visa aprender como aprender, um "aprendizado vitalício" -, que seja atraente, traga satisfação e desejo;
5) escola não mais como instituição separada da sociedade, mas integrada a ela, permitindo o "acesso aleatório" a qualquer etapa do ensino, independentemente de idade ou de credenciais educacionais, para que os alunos possam constantemente voltar aos bancos escolares para se atualizarem;
6) parceria escola e instituições empregadoras, com a fragilidade da divisão escola como local de estudo e trabalho como local de trabalho.
Reiteramos então a necessidade de um grande movimento nacional - e até mundial - em torno da sociedade do conhecimento. Um movimento de renovação tecnológica e cultural, que ajudasse as pessoas a começar a buscar espaços mais amplos e renovados, assegurando assim a sinergia dos esforços realizados e encontrando um denominador comum, que, sem dúvida, é a justiça social entre os povos."
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